Florinda Soares Bulcão nasceu em Urubuterama/CE, em 15 de fevereiro de 1941. Filha do poeta, jornalista e político José Pedro Soares Bulcão (1873-1942), Florinda mudou-se para o Rio de Janeiro, onde já morava uma de suas irmãs. Foi datilógrafa e mais tarde aeromoça da Varig, porque já dominava o inglês, o italiano e o francês. Foi para os Estados Unidos, onde participou de comerciais de televisão e conheceu personagens do jet set, como Porfirio Rubirosa, famoso play-boy internacional, e o jornalista brasileiro Samuel Wainer, então exilado.
Em 1968 Wainer apresentou Florinda à condessa Marina Cicogna, produtora cinematográfica que se tomou sua grande amiga e a levou para passar férias na ilha italiana de Ísquia. Florinda foi apresentado ao diretor Luchino Visconti, primo de Marina, que se encantou com a brasileira e providenciou um teste. O diretor acabou dando um papel a Florinda no exitoso filme “Os Deuses Malditos”. A partir daí o mundo conheceu a estrela brasileira. Era o início de uma longa carreira internacional, com ênfase no cinema e televisão da Itália.
Florinda atuou em mais de 50 filmes (registrados nos principais sites de cinema mundial), trabalhando com diretores como Christian Marquand, Damiano Damiani, Giuseppe Patroni Griffi, Giuliano Montaldo, Elio Petri, James Clavell, Michele Lupo, Enrico Maria Salerno, Vittorio de Sica, Richard Lester e Franco Prosperi, além do próprio Visconti.
Atuou com astros e estrelas como Marlon Brando, Charles Aznavour, Richard Burton, Michael Caine, Omar Sharrif, Elsa Martinelli, Kirk Douglas, Jean-Louis Trintignant, Dirk Bogarde, Rommy Schneider, Virna Lisi, Ingrid Thulin, Helmut Berger, Ringo Starr, John Cassavetes, Annie Girardot entre outros nomes.
Quando começou a trabalhar na Itália adaptou a grafia de seu sobrenome (Bulcão) para torná-lo mais pronunciável aos estrangeiros. Ganhou três vezes o David di Donatello, considerado o “Oscar” do cinema italiano.
Florinda só tem três trabalhos no Brasil: “A Rainha da Vida”, minissérie de 1987, da Rede Manchete, uma história, passada no Ceará, que narra o drama de Antônia Fidalga, uma mulher vilipendiada pelo marido. Fez “Bela Donna” em 1998, co-produção Brasil/EUA dirigida por Fábio Barreto. Em 2000, Florinda fez sua estreia na direção com o filme “Eu não Conhecia Tururu”, que também produziu, onde faz uma das quatro irmãs, numa história passada na sua terra natal, o Ceará.
Durante 20 anos, Florinda foi companheira da condessa Marina Cicogna. A atriz afastou-se da vida artística em 2006.
M.A.Z./ 03-12-2021